Em grande fase, Messi e Mbappé lutam por título e prêmios individuais

A final da Copa do Mundo, no próximo domingo, coloca em lados opostos dois craques, que compartilham não só a genialidade e o número mítico da camisa que carregam às costas, remetendo a Maradona e Zidane, mas também o vestiário do clube em que jogam. Além do principal foco da partida, que é a conquista do tri mundial para suas seleções, o argentino Lionel Messi e o francês Kylian Mbappé têm muito a disputar. Os 90 ou 120 minutos podem determinar a artilharia da Copa, a Bola de Ouro de craque do torneio, o troféu de melhor do mundo no ano de 2022 e até as chaves do Paris Saint-Germain. Tudo isso em um só jogo.
A artilharia é a disputa mais concreta entre os dois. A não ser que croatas e marroquinos desandem a fazer gols amanhã, na disputa de terceiro lugar, já que os goleadores deles têm no máximo dois gols, Messi e Mbappé decidirão domingo quem será o sucessor de Harry Kane, que fez seis, em 2018, na Rússia. Os dois começarão a final em igualdade, com cinco gols marcados no Qatar.
Messi tem sido mais regular na distribuição dos gols. Fez um em cada partida, com exceção do confronto com a Polônia, quando perdeu um pênalti. Marcou contra Arábia Saudita, México, Austrália, Holanda e Croácia. Mbappé, por outro lado, fez um na estreia, contra a Austrália, dois frente à Dinamarca, e outros dois contra a Polônia. Passou em branco contra a Tunísia, quando foi poupado e atuou por apenas pouco mais que 30 minutos, e nos dois confrontos recentes, diante de Inglaterra e Marrocos.
Para o prêmio de artilheiro, os números frios é que valem, e se um deles marcar mais que o outro durante o confronto final ficará com o prêmio, sem qualquer dúvida. Não há espaço para juízo de valor, mas para outras duas premiações, que certamente sofrerão forte influência do que acontecer a partir das 12 horas (da Bahia) de domingo, o subjetivo ganha espaço e cada detalhe poderá ser avaliado.
Um argumento a favor de Mbappé na disputa está no fato de o camisa 10 francês ter marcado os cinco gols com bola rolando, enquanto o argentino fez três dos cinco a partir da marca do pênalti. Por outro lado, a maior distribuição dos gols de Messi denota uma participação efetiva desses gols em mais resultados da equipe.
Equilíbrio
Nas assistências, Messi leva ligeira vantagem: três, contra duas do francês. O argentino também criou mais chances de gol, com 14 contra 11. Na média de tempo para cada participação em gol no Mundial, há equilíbrio, mas Mbappé leva pequena vantagem, participando de um tento a cada 68,1 minutos, enquanto o argentino, a cada 71,3.
Na hora de chutar a gol, também há muito equilíbrio, com 25 finalizações do francês, sendo 11 no alvo, e 27 chutes do argentino: 14 na mira. Nos dribles, Kylian já conseguiu levar a melhor contra seus marcadores 21 vezes no Mundial, contra 15 de Lionel.
Para o prêmio de craque da Copa, os dois parecem chegar em pé de igualdade. A disputa entre França e Argentina, personificada em Mbappé e Messi, lembra muito o que aconteceu na Copa de 1994, quando Romário e Roberto Baggio tinham peso semelhante para os finalistas, Brasil e Itália. O camisa 11 brasileiro ficou com o título e a Bola de Ouro.
Messi busca a conquista do prêmio pela segunda vez – ganhou a primeira no Brasil, em 2014, quando a Argentina foi vice-campeã, enquanto o francês, que já foi campeão mundial, tenta a primeira Bola de Ouro.
A Fifa divulgou que a cerimônia de entrega do prêmio de Melhor Jogador do Mundo de 2022 acontecerá no dia 27 de fevereiro, mas a votação que definirá o premiado já começará no dia 12 de janeiro. E as lembranças do Mundial e da final de domingo certamente ainda estarão bem vivas na memória daqueles que decidirão o vencedor, portanto, o confronto de domingo será determinante na escolha.
Existe a tradição de que o desempenho na Liga dos Campeões da Europa seja o mais determinante para o resultado da premiação, à exceção dos anos de Copa do Mundo. Karim Benzema era o favorito ao prêmio, por ter sido o melhor jogador da Liga, mas a lesão, que impediu que ele atuasse no Mundial, abriu espaço para que Messi, com seis prêmios, e Mbappé ganhassem terreno na disputa.
Rei da França
Além de lutarem pelo planeta, os dois podem ter uma disputa mais específica pelo posto de protagonista no Paris Saint-Germain. O ambiente do clube parisiense costuma ser cercado de muitas especulações sobre rixas e embates pelo protagonismo interno, desde que passou a ser uma das agremiações mais ricas do mundo. E, na atual temporada, Mbappé passou a estar no foco das polêmicas, afinal, aceitou renovar contrato e abrir mão de uma transferência para o Real Madrid. Informações nem confirmadas nem negadas com muito entusiasmo colocam Kylian de um lado e Neymar de outro, como rivais. Dada a proximidade de Messi com o brasileiro, o argentino também é colocado em lado oposto ao francês.
Um esbarrão em Messi, durante disputa com Neymar para saber quem cobraria pênalti, e até mesmo uma postagem de Mbappé chamando Cristiano Ronaldo, de quem é fã comprovado desde a infância, de melhor de todos os tempos são apontados como indícios de que o relacionamento entre os dois craques não é o melhor possível. Sendo assim, chegar de volta ao PSG com a medalha de campeão e com prêmios individuais será como conquistar de vez as chaves do clube e da capital francesa.
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Fonte: Site/A Tarde – BA
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