Ressocialização: Interno do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas é aprovado em curso de Medicina; o poder transformador da educação na ressocialização

Teixeira de Freitas, sexta-feira, 04 de abril, em um momento que reforça o papel social da segurança pública, o Conjunto Penal de Teixeira de Freitas (CPTF) celebra a aprovação de um de seus internos no curso de Medicina da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). O reeducando R.C.R., que cumpre pena na unidade, teve sua matrícula homologada pela instituição de ensino superior, tornando-se símbolo de uma política de ressocialização que aposta na educação como ferramenta de transformação social.
O caso representa um divisor de águas na abordagem sobre o sistema carcerário, geralmente lembrado por sua rigidez, mas que no CPTF vem sendo reconstruído com base em práticas pedagógicas e ações sociais que promovem a reintegração do apenado à sociedade.
A conquista do interno é fruto de um esforço coletivo que envolve a equipe pedagógica do CPTF, o Colégio Estadual Machado de Assis (CEMAS), o Núcleo Territorial de Educação (NTE 07), além dos policiais penais e profissionais da unidade prisional. Todos compartilham da convicção de que o cárcere pode – e deve – ser um espaço de recomeço.

Segundo o diretor do CPTF, Charles de Souza Martins, essa é uma vitória de toda a sociedade, que disse: “A aprovação em Medicina demonstra que, quando há oportunidades e políticas públicas bem executadas, é possível quebrar o ciclo da criminalidade. A educação é um investimento em segurança pública duradoura, porque reduz a reincidência e devolve cidadãos prontos para uma nova vida.” Disse o diretor.
O projeto educacional do CPTF segue os princípios da pedagogia libertadora de Paulo Freire, promovendo o pensamento crítico e o despertar de consciência. Não se trata apenas de escolarização formal, mas de reconstrução da autoestima e da identidade social do apenado, o que tem impactos diretos na sua conduta dentro e fora do sistema prisional.
“Estamos diante de um exemplo claro de que a prisão não precisa ser uma sentença de exclusão permanente. Ao contrário, pode ser o ponto de virada na vida de alguém que decide mudar seu rumo com dignidade”, destaca o coordenador pedagógico da unidade, André Almeida.

Para Orlando Berbel, coordenador educacional, o feito simboliza a eficácia de um modelo de segurança pública que combina repressão qualificada com políticas de prevenção social, destacou: “Não existe transformação social sem educação. Essa conquista mostra que o trabalho que realizamos aqui vai muito além dos muros – ele impacta famílias, comunidades e o futuro da nossa cidade.”
A diretora do CEMAS, Rosângela Martins, também celebrou o resultado, ressaltando a importância da integração entre o sistema educacional e o sistema penitenciário, afirmou a diretora: “É com sensibilidade e responsabilidade que conseguimos levar educação de qualidade para todos, inclusive os que estão privados de liberdade.”

A aprovação do estudante interno do CPTF em uma das carreiras mais exigentes e concorridas do país, como Medicina, reafirma o potencial de recomeço e a importância de políticas públicas que não apenas punem, mas ressocializam. A expectativa agora é que o exemplo sirva de inspiração para outras unidades prisionais e para a própria sociedade, que ainda carrega estigmas profundos sobre quem já passou pelo sistema penitenciário.

Além de devolver um cidadão com novas perspectivas ao convívio social, ações como essa colaboram para a redução dos índices de reincidência, diminuem a violência e tornam o sistema de justiça mais eficaz e humanizado.
Netinhonews/Cloves Neto
Informações e Fotos: teixeiradefreitascptf.blogspot.com
por: Coord. Pedagógico (CPTF) “André Almeida”
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