Operação “Convergência”: Forças de Segurança e Ministério Público Reagem à Escalada de Violência em Eunápolis imposta pela “Facção PCE”

Em uma resposta direta à crescente escalada de violência em Eunápolis (BA) e região, foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 30 de maio, a Operação “Convergência”, realizada através de uma ação integrada entre a Polícia Civil (23ª COORPIN), Polícia Militar através das unidades operacionais e especializadas (RONDESP-ES; CIPE-MA/CAEMA; CETO/8ª Batalhão; PETO/7ª CIPM) e o Ministério Público Estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).
A operação teve como alvo uma estrutura criminosa responsável por inúmeros homicídios, tráfico de entorpecentes e ataques contra agentes públicos, e visa desarticular o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), uma facção local fortemente armada, com histórico de extrema violência e que mantém aliança direta com o Comando Vermelho (CV), uma das principais organizações criminosas de atuação nacional.
A motivação da operação está ancorada no avanço territorial de facções que disputam o controle de bairros, distritos e rotas de tráfico na região do Extremo sul da Bahia. Eunápolis tem registrado um aumento expressivo no número de homicídios relacionados à guerra entre grupos rivais, e ataques a servidores públicos ligados à segurança, como um ataque com uso de armas de grosso calibre como fuzil, realizado contra uma viatura (guarnição) da Polícia Militar da 7ª CIPM e ao veículo do diretor do Conjunto Penal (Presídio) na tentativa de matar os agentes de segurança (Policiais Militares e Policiais Penais), em represália às ações desenvolvidas contra as organizações criminosas, tendo como foco a facção PCE.

Segundo fontes da Segurança Pública, o PCE atua de forma organizada em bairros estratégicos da cidade e em localidades vizinhas como o distrito de Colônia e o município de Salto da Divisa (MG). O grupo impõe um regime de controle armado sobre pontos de venda de drogas, recrutando adolescentes e promovendo execuções sumárias para garantir sua hegemonia.

Durante o cumprimento de um dos mandados judiciais, “José Gonçalves Filho”, vulgo “Zé do Bode”, considerado uma das lideranças do tráfico de drogas daquela região e membro da facção PCE, morreu após trocar tiros com os policiais. Ele atuava no fornecimento e controle de entorpecentes no distrito de Colônia e tinha conexões interestaduais com criminosos do Estado vizinho de Minas Gerais – MG.
A operação resultou ainda na prisão de três indivíduos com mandados preventivos em aberto, além da condução de duas outras pessoas, entre elas um adolescente. Todos possuem ligações diretas com homicídios e tráfico de drogas.

Na ação, os policiais apreenderam: 03 armas de fogo; tabletes e porções de maconha; celulares, maquinetas de cartão, cartões bancários; um DVR, notebook, pendrive; certificados de registro de veículos e um rádio comunicador.
As investigações revelaram que parte das ordens criminosas partia de detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, onde o PCE mantém lideranças encarceradas. Um dos episódios que aceleraram a deflagração da operação foi o atentado contra o diretor do presídio, ocorrido em 20 de maio. Na ocasião, criminosos atacaram o carro do gestor da unidade; o motorista foi gravemente ferido.

O GAECO identificou que, mesmo presos, alguns integrantes da liderança da facção PCE, que está com seu principal líder foragido, sendo ele “Ednaldo Pereira Souza”, vulgo “Dadá”, após a fuga no mês de dezembro de 2024, no qual ele continua tendo contato com seus liderados que estão soltos e outros presos na referida unidade prisional, que mesmo assim, continuam comandando o tráfico e ordenando execuções, utilizando celulares clandestinos e pessoas para as trocas de informações dentro e fora da prisão.

A Polícia Civil e o Ministério Público destacaram que a Operação “Convergência” faz parte de uma estratégia mais ampla de retomada do controle estatal em áreas dominadas por facções e de enfraquecimento de alianças com organizações criminosas de alcance nacional, como o Comando Vermelho.
“Ao desarticular a estrutura do PCE, não estamos apenas retirando traficantes das ruas, mas enfraquecendo um elo regional de uma cadeia criminosa que atua em escala nacional”, afirmou um dos coordenadores da operação.
As autoridades indicam que novas fases da operação não estão descartadas, com diligências em andamento para localizar outros integrantes da facção e apreender bens adquiridos com recursos ilícitos. Essa é mais uma resposta do Estado através das referidas instituições envolvidas na Operação de combate ao crime organizado na região do Extremo Sul.
Netinhonews/Cloves Neto
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